Deus é Fiel

Deus é Fiel

sábado, 14 de maio de 2016

Subsídio para as aulas da EBD – Israel no plano da redenção


Israel no plano da redenção
Os capítulos 9, 10 e11 da carta aos Romanos fazem parte da primeira divisão da epístola que tem como temática: salvação pela fé. Porém, estes capítulos tratam basicamente a respeito da incredulidade dos israelitas.
Sendo que o apóstolo Paulo demonstra sua tristeza pela incredulidade dos seus irmãos na carne, assim como o seu amor, desejando que estes viessem a ter um relacionamento com Cristo. O amor do apóstolo aos israelitas é tão grande ao ponto de desejar separar de Cristo para que os filhos da promessa alcançasse a salvação.
I – A ELEIÇÃO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO
Paulo lista oito grandes privilégios outorgados por Deus ao povo da promessa: adoção de filhos, glória, concerto, lei, o culto, a promessa, os pais e o maior privilégio, Cristo.
Paulo não renegou seu antigo povo. Aqui ele mostra que não só amava seu povo como também sofria pela situação espiritual na qual se encontravam seus compatriotas. Não era um mal ser judeu, pelo contrário, constituía-se um grande privilégio já que foi a eles que Deus confiou seus oráculos. O que doía no coração do apóstolo era a dureza de coração que havia cegado seus irmãos, impedindo-os de enxergar o Messias que lhes fora prometido (GONÇALVES, p. 89).
Portanto, os judeus por serem eleitos de Deus não souberam usufruírem das promessas, pois a grande tragédia que acometeu a nação judaica foi que o Messias tão esperado e desejado por essa nação se tornou para ela uma pedra de tropeço, em lugar de ser um abrigo em que ela poderia proteger-se (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.389). Logo, quando houve o cumprimento da promessa, isto é, a vinda do Messias, os israelitas não reconheceram o tempo profético, por isso, rejeitaram a Cristo.
Logo, a rejeição a justiça divina indica que os judeus não desejavam obedecer a ordem de Deus para com eles, sendo que a justiça de Deus é a retidão que é própria ao ser divino, mais especificamente nesse contexto, a justiça que Deus concede quando uma pessoa confia em Cristo (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.390).
Por rejeitarem a justiça divina os Israelitas (racial) foram rejeitados por Deus. Sendo esta rejeição merecida, benéfica, uma advertência contra a arrogância e temporária.
II – O TROPEÇO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO
Os judeus não creram em Cristo, logo tropeçaram em Cristo. Os judeus buscaram a justiça própria, logo tropeçaram na lei. Por fim, os judeus não ouviram o que Deus havia planejado para eles, logo tropeçaram na Palavra.
Há três palavras que define a compreensão deste tópico: crer, justiça e ouvir.
Crer corresponde a acreditar. Não creram em Cristo, logo tropeçaram por não receberem o Messias. O maior privilégio dos israelitas foi ter Jesus como Salvador, porém esta dádiva foi rejeitada.
O maior privilégio para os judeus foi o fato do Messias ter vindo de Israel (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.386).
Quanto Paulo utiliza o termo Cristo conclama aos leitores israelitas a voltarem ao passado e lembrarem-se dos pais que esperavam o cumprimento da promessa. Promessa do Messias, isto é, do ungido a rei, sacerdote e profeta. Veio Cristo em carne e no ministério sacerdotal, profético e real, porém foi rejeitado pelos israelitas.
Por buscarem a justiça própria os judeus tropeçaram na lei, isto é, não depositaram confiança e nem obediência aos mandamentos que proporcionaria aos eleitos o conhecimento do Messias. Fato que indica, não ouviram a Palavra, isto é, não deram crédito à mensagem ensinada.
III – A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO
A característica da Rejeição divina aos israelitas é: merecida, benéfica, rejeição que adverte contra a arrogância e temporária.
Rejeição merecida (Rm 11. 7-10). A rejeição dos israelitas à pessoa de Cristo proporcionou catástrofes para com a nação. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11). Tal abandono tornou-se merecido pelo ato dos judeus rejeitarem ao Senhor Jesus.
Boas escolhas trazem consigo bons resultados. A condução de Jesus ao martírio por parte dos filhos da promessa foi o cumprimento da profecia Bíblica, mas aí dos que assim se sucedessem. Portanto, assim disse Jesus: não chores por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos (Lc 23.28).
Ainda que Jesus tivesse morrendo, Ele disse que o choro devia ser por Israel e seus habitantes, visto que o julgamento recairia sobre a cidade (Lc 19. 41-44). Jerusalém, aqui, representa toda a nação de Israel (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.210).
Rejeição benéfica (Rm 11.11-16). Nos versículos em análise Paulo transmite os benefícios da rejeição de Israel utilizando como palavra padrão, queda.
1- Da queda de Israel veio à salvação (v.11). Isto é, da incredulidade dos filhos da promessa a salvação tornou-se possível aos gentios.
2- Na queda de Israel estar à riqueza do mundo (v.12). A salvação de fato corresponde com a maior riqueza do mundo, pois o que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? (Mt 16.26).
3- A rejeição de Israel proporcionou a reconciliação do mundo (v.15). É interessante que Paulo deixa claro em 11.15 que, embora a rejeição temporária da nação de Israel tenha beneficiado a humanidade, a restauração do Israel nacional trará benefícios ainda maiores para o mundo (RICHARDS, p.315).
Rejeição que adverte contra a arrogância (Rm 18-24). Pessoas que não sabem o valor dos privilégios acabam se corrompendo por não saberem usufruírem as regalias recebidas. Os israelitas tinham privilégios incontestáveis, porém por sua arrogância foram quebrados (v.17), sofreram a rejeição (v.15) e sofreram a queda (v.12).
Em vez de confiar, e pela fé reivindicar uma justiça que Deus está ansioso para dar, Israel insistiu nas obras, e com orgulho presumiu que atos piedosos poderiam torná-lo um povo justo perante Deus (RICHARDS, p.315).
Paulo aconselha aos cristãos a não se ensoberbecer (v.20), mas, a confiarem e dependerem de Deus.
Estar de pé diante de Deus é um ato que só é possível mediante a fé. Sentimentos de superioridade não têm vez (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.392).
Rejeição temporária (Rm 25-32). Deus não abandonou a Israel no que corresponde, rejeitou e não o quer mais. A rejeição é temporária, porque Deus há de salvar a Israel. O plano de Deus é mais complexo do que frequentemente presumimos (RICHARDS, p.316).
Todos os acontecimentos escatológicos tem como propósito básico a salvação de Israel. Pois, em vez de rejeitar a Israel, Deus novamente mostrou sua graça extraordinária em relação a este povo, preservando um remanescente dEle dentro da igreja de Jesus Cristo (RICHARDS, p.315) e, no fim dos tempos salvará a nação de Israel (v.32).
Em suma, no que corresponde aos capítulos direcionados em sua temática aos israelitas, percebe-se que o apóstolo Paulo apresenta os privilégios outorgados por Deus aos judeus, assim como a afirmação de um remanescente que recebeu a Cristo como Salvador, porém, o apóstolo não deixa de dissertar a respeito da rejeição dos israelitas que não corresponde com uma rejeição perpétua, mas a uma rejeição educativa, pois a mesma é merecida (por causa da desobediência), benéfica, corresponde a uma advertência e, por fim, é temporária.
Paulo encerra a temática de Israel ratificando a sabedoria divina (Rm 11. 33-36).
REFERÊNCIA
GONÇALVES, José. Maravilhosa Graça, o evangelho de Jesus Cristo revelado na Carta aos Romanos. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
RADMACHER, Earl D. ALLEN, Ronaldo B. HOUSE, H. Wayne. O Novo comentário Bíblico Novo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2013.
RICHARDS. Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Carta aos Romanos – Apresentação do cristão para com Deus


Apresentação do cristão para com Deus
Texto: 1- Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
2- E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
3- Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a media da fé que Deus repartiu a cada um.
4- Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação (Rm 12.1-3).
Os primeiros versículos que trata da segunda palavra chave da carta aos Romanos é exortação. Exortação que corresponde à apresentação do cristão na Igreja (Rm 12.1-8), na sociedade (Rm 12.9-21), em relação ao governo (Rm 13.1-14), e em relação aos outros cristãos (Rm 14.1-15.13).
A apresentação do cristão para com Deus segundo o apóstolo Paulo se notifica na relação do crente com a Igreja (Rm 12.1-8) deverá ser em sacrifício vivo, santo e agradável, isto é, o cristão deverá se apresentar a Deus em santificação. Já em continuidade o apóstolo Paulo descreve a maneira em que o cristão deverá desenvolver os dons recebidos da parte de Deus, isto é, com temperança, reconhecimento, dedicação, liberalidade, cuidado e com alegria. Não se pode esquecer que o apóstolo caracteriza a vontade divina, sendo esta, boa, perfeita e agradável.
Apresentação por meio de uma vida santificada
1- Apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo. Para Paulo deveria existir uma diferença entre a novidade de vida do cristão. Se na Antiga Aliança os animais eram sacrificados, logo, o sacrifício se desenvolvia por meio de um animal morto. Portanto, na Nova Aliança o sacrifício é concretizado em um corpo vivo.
2- Apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo. Para Paulo o termo santo indica lugar reservado, se na Antiga Aliança o templo era o lugar reservado e santificado, já na Nova Aliança o cristão é o lugar reservado e santificado para Deus e para o uso de Deus.
3- Apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Na Antiga Aliança o sacerdote entrava no lugar Santo do Santo com uma corda amarrada em seu corpo, caso se o mesmo estivesse em pecado morreria ali e o corpo deveria ser retirado por outros no ato do puxar a corda, pois ninguém poderia entrar no lugar do Santo do Santo sem consagração devida. Quando o sacerdote saia do templo a comunidade entendia que o sacrifício foi agradável a Deus.
Logo, o culto racional tem que ter como referência o que agrada a Deus.
Apresentando-se à igreja por meio dos dons
Os dons são divididos na Bíblia em três grandes grupos: os dons espirituais, os dons ministeriais e os dons de servir. Porém, para o apóstolo o que deverá ser observado é a maneira como o indivíduo dotado do dom se apresenta perante a Igreja.
1- Apresentado com temperança. Termo que corresponde à apresentação do cristão com sabedoria e autocontrole, que se torna possível por meio da auto-observação. Mas, que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um (v.3b).
2- Reconhecendo o valor das funções de cada um. A Igreja é composta por muitos membros, sendo que cada um tem uma função específica sob a autoridade de Jesus Cristo. Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros (vv.4,5).
3- Apresentando com dedicação. Dedicação é o mesmo que abnegação, desempenho e sacrifício. Apresentar com dedicação corresponde a negar desejos pessoais para servir a Deus. Apresentar com dedicação indica desempenhar com sucesso para fazer o melhor para Deus. E por fim, apresentar à Igreja com dedicação corresponde a sacrificar, isto é, fazer o possível para agradar a Deus.
4- Apresentado com liberalidade. Em outra versão com generosidade. O cristão deverá ser generoso, isto é, repartir o que lhe pertence sem qualquer interesse ou utilidade.
5- Apresentar com cuidado. Os líderes deverão apresentar perante a Igreja com cuidado. O cuidado é necessário porque o líder está envolvendo com uma pessoa, portanto é necessário o cuidado com o ser psicológico. O líder está se relacionando com um filho de Deus, isto é, tem que ter cuidado com o ser espiritual. Logo, o líder está em contato com um membro da comunidade, isto é, o líder deverá ter cuidado com o ser social.
6- Apresentado com alegria. O cristão deverá ajudar os outros com alegria e não por tristeza.
Quando o crente se apresenta a Deus percebe-se que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. A única maneira de fazer a vontade de Deus é reconhecê-la. E nós só podemos reconhecer a vontade de Deus se aprendermos a ver as questões da vida a partir da perspectiva de Deus (RICHARDS, p.317).
REFERÊNCIA
RICHARDS. Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

sábado, 7 de maio de 2016

Subsídio para as aulas da EBD – A vida segundo o Espírito


A vida segundo o Espírito
O capítulo 8 da carta aos Romanos é um dos textos da Escritura Sagrada mais citado nas reuniões dos cristãos. Pois, há uma forte dissertação a respeito da vida segundo o Espírito, dividido em duas ações, sendo estas, o andar e o viver segundo o Espírito.
Portanto, para os que andam e vivem segundo o Espírito não há nenhuma condenação. A palavra condenação que tem como termo legal do grego katakrima (κατάκριμα), significa pronunciar julgamento contra alguém. Logo, nos registros celestiais não há nenhum juízo de condenação para os que estão em Cristo. Assim também como não há nenhuma condenação no sentido de obrigação para o crente expressa na lei. Mas, para os que não estão em Cristo e que andam segundo a carne há condenação.
Do capítulo 5 ao capítulo 8 da carta aos Romanos o apóstolo Paulo transmite como palavra chave: liberdade. Paulo assinala alguma coisa especial através da qual a liberdade é efetuada (GONÇALVES, p 79).
O cristão é livre da ira
Esse fato, Paulo fundamenta no amor de Deus em Cristo Jesus (cap. 5)
O cristão é livre do pecado
Aqui Paulo se refere ao batismo, através do qual nós fomos incorporados ao corpo de Cristo, e que o corpo do pecado pode ser destruído (cap. 6).
O cristão é livre da lei
Aqui Paulo se refere à morte de Cristo. No corpo de Cristo nós morremos para a lei (cap. 7).
O cristão é livre da morte
Aqui Paulo se refere ao Espírito, pneuma, o Espírito de Cristo é o poder que faz viver (cap. 8).

(Nygren apud Gonçalves, p.79).
I – A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO À LEI DO PECADO (Rm 8.1-4).
A lei está enferma, pois o que era boa acabou por se tornar inoperante. A lei tinha como missão indicar o caminho a ser palmilhado pelos seres humanos, principalmente à nação de Israel, porém, a lei acabou servindo de instrumento para aguçar o desejo de pecar.
Paulo em Romanos 8.2 disserta a respeito de dois tipos de lei:
Lei da morte (Rm 8.2). Termo que se associa com o princípio do mal e com a lei de Moisés. O motivo em que esta se associa com a lei de Moisés estar na condenação proveniente da lei.
Lei do Espírito (Rm 8.2). Se a lei do pecado condena e leva o homem a morte, a lei do Espírito vivifica e conduz o homem à presença de Deus.
II – A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO À NATUREZA ADÂMICA (Rm 8.5-17)
As duas ações argumentadas por Paulo no que corresponde à vida segundo o Espírito são: andar e viver. O andar segundo o Espírito é o fruto da escolha, viver no Espírito. A obra de Cristo possibilita aos cristãos escolher entre o viver no Espírito ou no viver segundo a carne. Todos os que escolhem viver segundo o Espírito terão como resultado o andar segundo Espírito.
1- Andar no Espírito. Para Paulo andar segundo o Espírito é primeiramente estar livre da lei do pecado e da morte (v.2). A lei do pecado condena e tem como resultado final a morte. Logo, o andar no Espírito indica que o crente em Cristo está livre da condenação proveniente do pecado.
O andar em Espírito é também contemplar a condenação do pecado na carne (v.3). Obra desenvolvida por Jesus na cruz vencendo o pecado.
E por terceiro para Paulo o andar no Espírito é inclinar para as coisas espirituais (vv. 5,6), que tem como garantia a vida e a paz.
A paz é o fim do conflito intenso descrito no capítulo 7, bem como a harmonia e a tranquilidade que existem no interior do cristão; isto é, o resultado do ato de se render a Deus (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.382).
Portanto, o andar na carne tem como resultado a morte, ao contrário o andar no Espírito, tem como resultado a vida e não apenas a vida, mas uma vida com paz.
2- Viver no Espírito. O viver no Espírito corresponde na transformação do crente, na ação do Espírito em habitar e guiar o crente (vv. 9,14), na aceitação do cristão como filho de Deus (v.14) e, por fim, no outorgar ao cristão o direito de ser co-herdeiro de Cristo (v.17).
O cristão é habitação do Espírito Santo, não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (1Co 3.16). O termo, não sabeis, introduz uma afirmação incontestável.
Além de habitar, o Espírito Santo também guia o crente, porque todos os que são guiados pelo Espírito Santo de Deus, esses são filhos de Deus (Rm 8.14).
Sermos guiados pelo Espírito Santo de Deus é o mesmo que caminhar em conformidade com o Espírito Santo. Caminhar implica a participação ativa e o esforço do cristão. Ser conduzido sublinha o lado passivo, a dependência submissa de cada cristão ao Espírito (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.383).
Viver no Espírito é também ser filho de Deus, pois recebestes o espírito de adoção (v.15). Richards associa a este versículo a seguinte explicação:
A carne considera a Torá como obrigação e tem medo, pois o homem sincero sabe que não conseguirá cumpri-la. O espírito considera a Torá como uma promessa e exclama Abba (papai!), exatamente como um filho cujo pai, ao retornar de uma viagem, lhe trouxe um presente muito especial (p. 306).
Por último, Paulo fala sobre o direito da herança. Todos os filhos de Deus têm uma herança baseada na sua relação com Deus, herança de natureza incorruptível, imaculada, reservada no céu (1 Pe 1.4). A herança dos filhos de Deus inclui uma expectativa de vida eterna (Tt 3.4-7). Como herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, os filhos de Deus compartilham, agora, dos sofrimentos de Jesus (Fl 3.10) e, no futuro, compartilharão também da Sua glória Fl 3.11-14 (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.384).
III – A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO ENTRE A NOVA ORDEM E A ANTIGA (Rm 8.18-30)
O cristão em meio a todos os sofrimentos permanece fiel a Deus, pois a esperança que tem origem na promessa divina é maior que toda a aflição deste tempo presente. Já nos versículos 22 a 26 o apóstolo Paulo fala de três tipos de gemidos. A palavra gemido do grego, stenazó, transmite a ideia de sentimento de pesar interior, exprime dor moral e física. De fato significa suspirar, causar dor, afligir, entristecer, prantear e padecer. Até o próprio Deus se condói do gemido dos necessitados (Sl 12.5) e levanta do seu trono e põe a salvo aquele que nEle confia. Portanto, Paulo ao escrever a carta à igreja em Roma transmite no capítulo oito os três gemidos: o gemido da natureza, o gemido da igreja e o gemido do Espírito Santo.
Em suma, no capítulo 7 o apóstolo Paulo descreve a respeito da lei do pecado e inicia o próximo capítulo com a palavra, portanto. O termo, portanto, do capítulo 8 é uma conclusão informal de Romanos 7.25. Isto é, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo, pois o Espírito Santo capacita aos cristãos a viverem para e em Cristo.
REFERÊNCIA
GONÇALVES, José. Maravilhosa Graça, o evangelho de Jesus Cristo revelado na Carta aos Romanos. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
RADMACHER, Earl D. ALLEN, Ronaldo B. HOUSE, H. Wayne. O Novo comentário Bíblico Novo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2013.
RICHARDS. Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Carta aos Romanos – A rejeição de Israel


A rejeição de Israel
Texto: 1- Digo, pois: porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamin.
11- Digo, pois: porventura, tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua queda, veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. (Rm 11.1,11).
Em Romanos 10 percebe-se a rejeição dos judeus no que concerne à justiça de Deus. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça não se sujeitaram à justiça de Deus (Rm 10.3). Logo, a rejeição a justiça divina indica que os judeus não desejavam obedecer a ordem de Deus para com eles, sendo que a justiça de Deus é a retidão que é própria ao ser divino, mais especificamente nesse contexto, a justiça que Deus concede quando uma pessoa confia em Cristo (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.390).
Por rejeitarem a justiça divina os Israelitas (racial) foram rejeitados por Deus. Sendo esta rejeição merecida, benéfica, uma advertência contra a arrogância e temporária.
Rejeição merecida (Rm 11. 7-10)
A rejeição dos israelitas à pessoa de Cristo proporcionou catástrofes para com a nação. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11). Tal abandono tornou-se merecido pelo ato dos judeus rejeitarem ao Senhor Jesus.
Boas escolhas trazem consigo bons resultados. A condução de Jesus ao martírio por parte dos filhos da promessa foi o cumprimento da profecia Bíblica, mas aí dos que assim se sucedessem. Portanto, assim disse Jesus: não chores por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos (Lc 23.28).
Ainda que Jesus tivesse morrendo, Ele disse que o choro devia ser por Israel e seus habitantes, visto que o julgamento recairia sobre a cidade (Lc 19. 41-44). Jerusalém, aqui, representa toda a nação de Israel (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.210).
Rejeição benéfica (Rm 11.11-16)
Nos versículos em análise Paulo transmite os benefícios da rejeição de Israel utilizando como palavra padrão, queda.
1- Da queda de Israel veio à salvação (v.11). Isto é, da incredulidade dos filhos da promessa a salvação tornou-se possível aos gentios.
2- Na queda de Israel estar à riqueza do mundo (v.12). A salvação de fato corresponde com a maior riqueza do mundo, pois o que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? (Mt 16.26).
3- A rejeição de Israel proporcionou a reconciliação do mundo (v.15). É interessante que Paulo deixa claro em 11.15 que, embora a rejeição temporária da nação de Israel tenha beneficiado a humanidade, a restauração do Israel nacional trará benefícios ainda maiores para o mundo (RICHARDS, p.315).
Rejeição que adverte contra a arrogância (Rm 18-24)
Pessoas que não sabem o valor dos privilégios acabam se corrompendo por não saberem usufruírem as regalias recebidas. Os israelitas tinham privilégios incontestáveis, porém por sua arrogância foram quebrados (v.17), sofreram a rejeição (v.15) e sofreram a queda (v.12).
Em vez de confiar, e pela fé reivindicar uma justiça que Deus está ansioso para dar, Israel insistiu nas obras, e com orgulho presumiu que atos piedosos poderiam torná-lo um povo justo perante Deus (RICHARDS, p.315).
Paulo aconselha aos cristãos a não se ensoberbecer (v.20), mas, a confiarem e dependerem de Deus.
Estar de pé diante de Deus é um ato que só é possível mediante a fé. Sentimentos de superioridade não têm vez (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.392).
Rejeição temporária (Rm 25-32)
Deus não abandonou a Israel no que corresponde, rejeitou e não o quer mais. A rejeição é temporária, porque Deus há de salvar a Israel. O plano de Deus é mais complexo do que frequentemente presumimos (RICHARDS, p.316).
Todos os acontecimentos escatológicos tem como propósito básico a salvação de Israel. Pois, em vez de rejeitar a Israel, Deus novamente mostrou sua graça extraordinária em relação a este povo, preservando um remanescente dEle dentro da igreja de Jesus Cristo (RICHARDS, p.315) e, no fim dos tempos salvará a nação de Israel (v.32).
Em suma, no que corresponde aos capítulos direcionados em sua temática aos israelitas, percebe-se que o apóstolo Paulo apresenta os privilégios outorgados por Deus aos judeus, assim como a afirmação de um remanescente que recebeu a Cristo como Salvador, porém, o apóstolo não deixa de dissertar a respeito da rejeição dos israelitas que não corresponde com uma rejeição perpétua, mas a uma rejeição educativa, pois a mesma é merecida (por causa da desobediência), benéfica, corresponde a uma advertência e, por fim, é temporária.
Paulo encerra a temática de Israel ratificando a sabedoria divina (Rm 11. 33-36).
REFERÊNCIA
RADMACHER, Earl D. ALLEN, Ronaldo B. HOUSE, H. Wayne. O Novo comentário Bíblico Novo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2013.
RICHARDS. Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Subsídio para as aulas da EBD – A Lei, a carne e o Espírito


A Lei, a carne e o Espírito
O apóstolo Paulo faz três analogias em Romanos sete: analogia do casamento, analogia de Adão no paraíso e analogia da carne versus o espírito. Para o apóstolo Paulo a existência da lei está associada com a presença da transgressão. Até existe um provérbio que enfatiza que “boas leis são provenientes de más condutas”. Por isso, sabe que as leis foram mediadas para que os hábitos maus fossem refreados. Nos escritos de Paulo aprende-se que a existência da lei estar associada à disciplina e a educação, pois pelo meio educativo os israelitas conheciam suas culpas. Portanto, a lei foi promulgada não por causa da obediência de alguns, mas por causa da desobediência de muitos. Porque a lei na sua instrução se aplica à corrupção humana.
I - A LEI ILUSTRADA NA ANALOGIA DO CASAMENTO
Sobre a analogia do casamento é necessário saber que se vive o marido a mulher estar ligada ao cônjuge. Morto o marido a mulher fica livre. Logo, o apóstolo Paulo faz desta ilustração a seguinte aplicação: morreu-se a lei, agora o cristão é livre para casar com a graça (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.379).
Tal analogia explica a invalidade da Lei em justificar, pois a Lei condena o melhor dos homens. E serve também para mostrar que a Lei não pode mais condenar àqueles que estão em Cristo.
Paulo fundamenta seu comentário mostrando a antiga relação da lei com aquele que a observa. Paulo já havia mostrado no capítulo 5 que o pecado não é levado em conta quando não há lei. Ali a transgressão aparece como a quebra do mandamento da lei. Deus deu então o código do Sinai. Essa lei dada a seu antigo povo é justa e boa, mas em vez de produzir vida, trouxe morte. Havia algum problema com a lei? Não, o problema estava com os homens, corrompidos pelo pecado, que se mostraram incapazes de obedecer aos preceitos da lei. A lei trouxe a consciência do pecado e esse pecado, alimentado pela cobiça, frutificou para a morte. Esse argumento receberá ênfase novamente em Romanos 7.7 (GONÇALVES, p.70).
Portanto, o termo morto para a lei, significa que o crente estar unido com Cristo.
II – ADÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA DA SOLIDARIEDADE DA RAÇA (Rm 7.6-13)
O pecado de Adão conduziu todos a se afastarem de Deus, ou seja, pelo ato pecaminoso de Adão todos tornaram pecadores.
O pecado e a Lei mantêm as pessoas em escravidão. A lei é, então, algo mal como o pecado? Não. Os mandamentos específicos da Lei trazem o conhecimento claro do pecado. A tendência que temos para pecar tira proveito desse conhecimento para nos agitarmos e nos rebelarmos, conduzindo-nos assim para pecados ainda maiores. O bom propósito da Lei era tornar conhecido a nós o modo como poderíamos agradar a Deus e receber dele a vida. O pecado torceu esse propósito divino, a ponto de atualmente conduzir apenas para a morte (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.380).
Com Adão foi feita uma aliança tendo três elementos essenciais: promessa, condição e pena.
A promessa se caracterizava na obediência de Adão, se este fosse fiel a Deus o mesmo viveria eternamente.
Já a condição baseava na obediência ou desobediência de Adão. Se Adão fosse obediente alcaçaria a promessa da vida eterna. Se Adão fosse desobediente sofreria a pena.
Logo, a pena da aliança adâmica corresponde diretamente com a desobediência, como Adão foi desobediente, ele e todos os seus descendentes sofreram a morte.
III – O CRISTÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA ENTRE CARNE E ESPÍRITO
De fato a Lei é santa:
A conclusão é que, em sua totalidade, a Lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom. Nosso problema com o pecado não é decorrente da ausência da Lei divina, e sim, resultado da nossa natureza pecaminosa (v. 8, 11, 13), que responde à Lei (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.381).
A constituição do homem é tríplice: espírito, alma e corpo. O ser humano possui faculdades que o distingue dos demais seres criados por Deus. As faculdades do espírito humano se resumem em fé e consciência, já o intelecto, à vontade e as emoções são faculdades pertencentes à alma, e por fim, os cinco sentidos completam as faculdades do corpo: paladar, visão, tato, olfato e audição.
Entretanto, Adão representante da humanidade no pacto das obras deixou como herança a culpa, a corrupção e a morte. Logo, as obras da carne são demonstrações físicas e espirituais da degeneração humana.
Por fim, o problema não está na lei, mas nos seres humanos como tais. A lei é espiritual: devido à sua origem divina e os seu propósito de conduzir os seres humanos até Deus. Dessa forma, ela não pertencia ao mundo da humanidade terrena, natural. Enquanto pneumáticos, ela pertencia à esfera de Deus; se opõe ao que é sarkinos, carnal, pertencente à esfera da carne (GONÇALVES, p.74).
REFERÊNCIA                                                                        
GONÇALVES, José. Maravilhosa Graça, o evangelho de Jesus Cristo revelado na Carta aos Romanos. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
RADMACHER, Earl D. ALLEN, Ronaldo B. HOUSE, H. Wayne. O Novo comentário Bíblico Novo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2013.

A providência divina na vida de José


A providência divina na vida de José
Texto: 51- E chamou José o nome do primogênito Manassés, porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho e de toda a casa de meu pai.
2- E o nome do segundo chamou Efraim, porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição. (Gn 41.51, 52).
Anterior ao nascimento de Isaque Deus tinha falado a Abrão que sua descendência serviria a um povo em cuja terra seria peregrina por quatrocentos anos (Gn 15.13), sendo que José foi enquadrado no cumprimento desta profecia. José se destacou em ser um homem inteligente e sábio (Gn 41. 39), que possuía o Espírito de Deus (Gn 41.38).
Biografia de José
Conforme a última e mais extensa história de Gênesis, a de José, este personagem é um elo importantíssimo entre a promessa e o cumprimento. José foi lançado na cova (Gn 37. 24), por três motivos.
Primeiro motivo, os irmãos de José o lançaram na cova por que José tinha sonhos (Gn 37. 5-11), no contexto atual muitos são jogados na cova por possuírem sonhos.
Segundo motivo, José era amado de seu pai e isto provocava a seus irmãos (Gn 37. 3).
E como terceiro motivo, José tinha promessa de Deus. Deus tinha escolhido a pessoa de José para livrar ao povo de Israel de um período de seca.
Segundo o Salmo 119.85 os soberbos abriram covas para o salmista, da mesma forma os patriarcas de Israel abriram a cova para José. Soberbos são aqueles que possuem sentimentos negativos caracterizados pelo ego, em que se acham superiores aos outros. Porém, quando o crente obedece à palavra de Deus ele nunca desce, mas por Deus será exaltado e isto aconteceu de fato na vida do patriarca José, e por Faraó o mesmo recebeu nome de Zafenate-Panéia, que significa Deus fala e Deus vive (Gn 41.45), por fim, José foi exaltado por Deus.
Os decretos de Deus
Na narrativa de toda Escritura Sagrada percebe-se que Deus tem cuidado dos teus filhos. O cuidado de Deus torna-se notável na descrição dos decretos. Os decretos são manifestações da vontade de Deus, são para glória de Deus e são eternos.
Sendo que a Bíblia registra quatro tipos de decretos, são eles: criação, providência, redenção e consumação.
No AT Deus cuidou do patriarca Abraão em cumprir a profecia de dar-lhe um filho, isto foi à providência de Deus. A ida de José para o Egito foi à providência de Deus para livrar o povo de Israel do sofrimento (Gn 50.20). E assim a providência de Deus se repete em todo o Antigo Testamento.
No Novo Testamento além da providência de Deus em curar e multiplicar, nota - se também a ação Divina em levantar pessoas para cuidar dos necessitados. E a fé só se manifesta através das obras. Para Tiago a religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é; visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.
Por fim, a providência é a ação de Deus em governar o planeta terra.
Os filhos de José
Os filhos de José são: Manassés e Efraim.
O nome de Manassés foi dado ao primogênito por significar esquecer ou me fez esquecer. De fato no nascimento de algumas crianças percebe-se a mudança de vida de alguns pais. Porém, o que José quer transmitir corresponde ao esquecimento de um passado de dificuldades.
Já o nome do segundo filho, Efraim, tem como significado, dar fruto. O nome Efraim indica que Deus prosperou José na terra de sua aflição.
Portanto, aprende-se que o propósito de Deus é prosperar seus filhos na terra da aflição. Aos dezessete anos José chegou ao Egito e após treze anos José tornou-se vice-governador do Egito. Não importa a quantidade de tempo em que a aflição perdure, o importante é saber que Deus fala e Deus está vivo.