Deus é Fiel

Deus é Fiel

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Subsídio da E.B.D: A Salvação pela Graça

A Salvação pela Graça
Em Romanos 5.18 o apóstolo Paulo relata a respeito de um dos benefícios de estar em Cristo Jesus, que é ter a própria vida, fato corroborado na seguinte descrição, todos os justificados são livres em Cristo e passaram a serem livres da condenação, pois são justificados em Jesus.
O objetivo geral da presente lição é saber que a nossa salvação é fruto único e exclusivo da graça de Cristo; e como objetivos específicos: explicar o propósito da lei e da graça; discutir a respeito do favor imerecido de Deus; e, salientar para o escândalo da graça.
A existência da Lei está associada com a existência do pecado, isto porque a Lei cujo significado indica ensino ou instrução foi dada a fim de demonstrar que o pecado é uma violação à vontade divina e com isto despertar os seres humanos a entenderem a misericórdia proveniente da graça manifestada em Jesus Cristo. Porém, o limite da Lei estava na impossibilidade de outorgar vida espiritual e atitude moral.
I – LEI E GRAÇA
1- O propósito da Lei.
2- A Lei nos conduziu a Cristo.
3- A graça revela que a Lei é imperfeita.
Comentário:
É necessário observar dois pontos básicos a respeito da Lei: primeiro, a Lei revela a justiça de Deus e segundo, a Lei é responsável pelo ensino até a manifestação de Cristo.
1- A Lei revela a justiça de Deus. Logo que a lei revela a justiça divina também demonstra a injustiça por parte dos homens. “Estávamos sobre a custódia da lei” (Gl 3.23), isto indica que a lei aprisionava os homens por serem os mesmos injustos. A injustiça humana era notável até mesmo na vida de personagens que viveram em conformidade com Deus. Por exemplo: Noé após o dilúvio ao se embriagar (Gn 9.21), Abraão ao mentir (Gn 12.11-13; 20.2), Davi ao transgredir cinco dos dez mandamentos (2 Sm 11.4,14,24,27), e Uzias ao agir como sacerdote (2 Cr 26.16). Em suma, a lei indicava que os homens eram injustos em suas obras e incapazes de se salvarem, sendo que a justiça de Deus se manifesta na pessoa e na obra de Jesus Cristo.
2- A lei é responsável pelo ensino até a manifestação de Cristo. Anterior ao ministério de Jesus a lei definia a educação dos judeus o que Calvino vai considerar com a infância. “De modo semelhante, a lei era o gramático da teologia, o qual, depois de conduzir seus alunos até certo ponto, os entregava à fé, para que completassem a graduação. Deste modo, Paulo compara os judeus a crianças e nós, a jovens em progresso” (CALVINO, 2007, p.99).
II – O FAVOR IMERECIDO DE DEUS
1- Superabundante graça.
2- Fé e graça.
3- A graça não é salvo conduto para pecar.
Comentário:
O presente tópico destaca três versículos e cada um merece ser comentado de maneira categórica:
Rm 5.20 – Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça. A graça é um favor imerecido. Os homens presos em seus delitos e pecado não mereciam, mas Deus em seu infinito amor enviou o seu Filho Unigênito para resgatar a todos os que estavam presos no pecado.
Rm 3.28 – Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei. A lei condenava o melhor dos homens, enquanto que a graça de Cristo justifica o pior dos homens, logo ninguém é salvo mediante as obras da lei, mas sim mediante a obra redentora de Jesus no calvário.
Gl 5.13 – Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. O versículo tem dois destaques: fostes chamados à liberdade e sede, antes, servos uns dos outros pelo amor. A liberdade é um uso externo e não lida unicamente com Deus, mas corresponde com as ações dos seres humanos, Deus outorga libertação para que o cristão a use para servir uns aos outros. Em resumo, se servimos uns aos outros pelo amor, teremos sempre nossa atenção voltada para a edificação; e desse modo, não cresceremos libertinos, mas usaremos a graça de Deus para a sua honra e a salvação de nosso próximo (CALVINO, 2007, p. 147).
III – O ESCÂNDALO DA GRAÇA
1- Seria a graça injusta?
2- A divina graça incompreendida.
3- Se deixar presentear pela graça.
Comentário:
Para os homens que vivem na síndrome de João Batista que desejam a ocorrência da condenação daqueles que não receberam a Cristo, parece que a graça divina é injusta, porém, a graça revela o amor incondicional de Deus, fato que torna a graça incompreendida.
A graça divina justifica, já o homem em sua prática pecaminosa se autocondena.  
O amor de Deus é a manifestação direta da graça reconciliadora para com os homens. Portanto, os homens não possuem capacidade para retribuir a Deus tão grande salvação, mas em contra partida deve ser grato a Deus por maravilhosa obra desenvolvida para o bem espiritual da humanidade.
O crente precisa conhecer três verdades básicas: quão grande é o nosso pecado, quão grande é a graça de Deus que nos redimiu e quão grande deve ser nossa gratidão a Deus por sua graça (STAM apud POMMERENING, 2017, p. 83).
Referência:
CALVINO, João. Gálatas. São José dos Campos – SP: Editora Fiel, 2007.

POMMERENING, Claiton Ivan. A obra da Salvação, Jesus Cristo é o caminho a verdade e a vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Subsídio para a E.B.D: A Abrangência Universal da Salvação

A Abrangência Universal da Salvação
O objetivo geral da presente lição é mostrar que a salvação em Jesus Cristo é de abrangência universal; e como objetivos específicos: explicar o que é a obra expiatória de Cristo; discutir a respeito do alcance da obra expiatória de Cristo; e, apontar que Cristo oferece salvação a todos.
A obra de Cristo na cruz é completa e abrangente. De fato torna-se completa, pois foi eficiente e eficaz, em que por uma única vez Jesus foi entregue, o cordeiro substituto, outorgando salvação a todos os que creem. A obra também é abrangente, pois abrange o tempo e as pessoas, o tempo, pois os que viveram antes da cruz por meio das promessas estavam olhando para a concretização e os que viveram após o cumprimento, são justificados ou condenados pela ação meritória de Jesus na Cruz.
I – O QUE É A OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO
1. A necessidade de expiação.
2. A abrangência do pecado.
3. A expiação de Cristo.
Comentário:
A morte de Jesus foi uma expiação pelos pecados da humanidade. Expiar o pecado é cobri-lo, apaga-lo e perdoar o transgressor. A expiação tornou-se necessária por causa da abrangência do pecado. Com a desobediência de um, todos pecaram e se distanciaram de Deus, o que separa o ser humano de Deus são as transgressões e o pecado tornou-se abrangente e pode ser definido em suas ações por três palavras: pena, poder e presença.
A penalidade do pecado é removida mediante a justificação em Cristo Jesus. A justificação é um aspecto da salvação, definida por ser um ato da graça divina e permite que o indivíduo seja salvo dos pecados passados.
O poder do pecado é removido da vida do cristão mediante a santificação progressiva. Santificação é o crescimento na graça, e se prolonga por toda a vida, de fato corresponde com a salvação dos pecados presentes.
A presença do pecado será removida de uma vez por todas quando todos os cristãos adentrarem no céu e com Cristo todos forem glorificados. Glorificação é o desfrutar da graça, ocorrerá quando o cristão chegar ao céu e de fato corresponde com a salvação de um mundo de pecado, e se estenderá por toda a eternidade.
Portanto, a expiação é a suprema expressão do amor do Pai para com a humanidade através de Jesus (POMMERENING, 2017, p. 62).
II – O ALCANCE DA OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO
1. A importância humana.
2. Cristo ocupou o lugar do pecador.
3. Alcance universal da obra expiatória.
Comentário:
Após o pecado o ser humano passou a ser definido pelas palavras: incapacidade e depravação. Incapacidade total, isto é, o homem por si mesmo não consegue a salvação, já a depravação total descreve a entrega dos seres humanos aos mais diversos tipos de delitos e de pecados.
O ser humano passou a ser visto e notabilizado pelos conflitos existenciais e destes muitos transtornos se concretizaram e se perpetuam na sociedade. Guerras, pobreza, violência, prostituição, adultério e outros tantos males se tornaram visíveis pela consumação do pecado original e se caracterizam em proporção por meio do pecado atual.
Porém, Cristo ocupou o lugar do pecador, o homem tornou-se se incapaz, mas Jesus venceu o pecado e foi o substituto perfeito, sem mancha e sem mácula. E quando recebemos a morte de Cristo como nossa redenção, tornamo-nos aceitos nEle e amados do Pai (Ef 1.6); a justiça dEle torna-nos justos (Rm 3.21); somos santificados pelo Espírito Santo, desenvolvemos o caráter de Cristo e produzimos o fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Temos o perdão de Deus, a purificação do pecado (At 2.38;3.19) e ainda a esperança da redenção completa, quando o que é corruptível revestir-se de incorruptibilidade (1 Co 15.53-54) e a trombeta soar, quando mortos e vivos subirão para o encontro com o Senhor nos ares (1 Ts 5.13-18) - (POMMERENING, 2017, p. 69).
III – CRISTO OFERECE SALVAÇÃO A TODO O MUNDO
1. Perdão, libertação e cura.
2. A salvação é para todo o mundo.
3. A responsabilidade do cristão.
Comentário:
O resultado alcançado pelos cristãos é a reconciliação para com Deus, ou seja, quem estava na condição de inimigo de Deus agora é amigo de Deus. Fato que outorga aos cristãos a responsabilidade para com os que não foram ainda alcançados, logo é dever de cada salvo pregar as boas novas em Cristo Jesus.
Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado (Mt 28.19,20).
Este versículo geralmente é interpretado como se contivesse três mandamentos, ou seja,: ir, batizar, fazer discípulos ou ensinar. Mas, na verdade, a Grande Comissão gira em torno do mais imperativo deles: fazer discípulos. Fazer discípulos envolve três passos: ir, batizar e ensinar, principalmente os dois últimos. O batismo aponta para a decisão de crer em Cristo. Quando uma pessoa cria em Cristo, ela deveria ser batizada; não há nenhum cristão no Novo Testamento que não tivesse sido batizado (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, p.88).
No texto original o ide não aparecesse no imperativo. A explicação está na missão de cada cristão em pregar o Evangelho. Cada crente prega o evangelho, com palavras e sem palavras. E o mais importante a salientar é que os crentes pregam o evangelho através do testemunho. Assim foi com a igreja primitiva que através do testemunho de vida conseguiram levar muitos a Cristo. Portanto, o imperativo aparece no fazer discípulos, isto é, ensinai. O crescimento da igreja se dá na obediência à Palavra de Deus.
Referência:
ALLEN, Ronaldo B. RADMACHER, Earl D. HOUSE, H. Wayne. O Novo comentário Bíblico Novo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2013.

POMMERENING, Claiton Ivan. A obra da Salvação, Jesus Cristo é o caminho a verdade e a vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Abel, homem que alcançou o testemunho de justo

Abel, homem que alcançou o testemunho de justo
Texto: Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar (Mt 23.35).
Há três versículos no Novo Testamento que ao citarem o personagem Bíblico, Abel o caracteriza a homem justo: Mateus 23.35 [...] desde o sangue de Abel, o justo [...]. Hebreus 11.4 [...] pelo qual alcançou testemunho de que era justo [...]. Primeira João 3.12 Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas.
Há descrições nos registros da cultura judaica que os dois primeiros partos de Eva, foram partos de gêmeos, conjectura realizada por alguns escritores que definem a presença de mulheres para a ocorrência da multiplicação, isto é, partos bivitelinos. Portanto, são conjecturas.
O nome Abel pode significar lamentação, definição por causa da sua morte ou antecipação ao seu assassinato, também pode ter como significado respiração, fragilidade ou filho.
Portanto, quatro pontos são necessários para compreender a vida de Abel conforme a narrativa Bíblica:
1. Era o segundo filho de Adão e Eva. Abel como filho do primeiro casal foi instruído na adoração a Deus e se encontrou na prática do pastoreio. Abel escolheu o melhor da sua criação e ofereceu em adoração a Deus (Gn 4.3-5).
2. Tornou-se o primeiro mártir. A definição para o termo mártir conforme o pastor Andrade, inicialmente, este substantivo servia para designar a todos os que prestavam testemunho do Evangelho. Com as perseguições romanas, passou a identificar o que morria por não negar a sua fidelidade a Cristo (1997, p.178-179).
Quando o Senhor Jesus citou o adorador Abel, o relacionou com os mártires e o chamou de o justo. A morte de Abel está relacionada com a perseguição realizada a aqueles que se comprometem a adorarem a Deus. Logo, se percebe com Abel o primeiro relato em que um justo sofre perseguição, neste caso a morte, por escolher servir a Deus.
3. Abel um tipo de Cristo. Quando Abel ofereceu o sacrifício em adoração a Deus, tornou-se naquele momento um tipo de Jesus, o sacrifício de Abel foi superior ao sacrifício de Caim, enquanto o sacrifício de Jesus foi superior ao sacrifício dos sacerdotes, pois Jesus tornou-se o próprio sacrifício (Hb 9.26; 10.12).
4. Abel um homem de fé. Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala (Hb 11.4). Abel está entre os heróis da fé e é o primeiro a ser citado na carta escrita aos Hebreus. As realizações executadas por Abel fizeram do mesmo um homem fiel às oferendas outorgadas a Deus, feito pelo qual Abel alcançou testemunho de que era justo (Hb 11.4).   Portanto, o sacrifício de Abel foi aceito por causa das suas características de homem justo (Mt 23. 35), dedicado e obediente a Deus.
Ser justo é andar em equidade e conforme a razão, também ser justo pode ser definido em andar conforme a verdade, de fato é ser exato na balança, segundo Salomão o sacrifício dos ímpios é abominável ao Senhor, mas a oração dos retos é o contentamento do Senhor (Pv 15.8).
Após o pecado cometido por Adão percebe-se que o primeiro ato de adoração a Deus é registrado na oferta de Abel. Ele ofereceu o melhor de tudo o que possuía. A oferta de Abel foi aceita por Deus por ter sida oferecida pela fé (Hb 11.4). Portanto, compreende-se que as ofertas outorgadas a Deus fazem parte do relacionamento entre o crente e o Criador. Por isso é fundamental a maneira como se oferta, assim como o que se oferta, pois estas maneiras indicarão se a oferta será aceita ou não por Deus.
Referência:

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.

Subsídio da E.B.D: A Obra Salvífica de Jesus Cristo

A Obra Salvífica de Jesus Cristo
O objetivo geral da presente lição é explicar que a obra salvífica de Cristo nos deu o privilégio de achegarmo-nos a Deus sem culpa e chama-lo de Pai; e como objetivos específicos: apresentar o significado do sacrifício de Cristo; explicar como se deu a nossa reconciliação com Deus; e, discutir a respeito da redenção eterna.
Quatro palavras tornam-se importantes para a compreensão da presente lição: consumado, vicária, reconciliação e redenção.
Portanto, é necessário saber que a morte de Jesus foi uma expiação pelos pecados da humanidade. Expiar o pecado é cobri-lo, apaga-lo e perdoar o transgressor. A morte de Jesus também foi uma propiciação, isto é, foi o aplacar da ira de Deus. Em terceiro a morte de Jesus foi uma substituição (Rm 5.6). Por fim, a morte de Jesus na cruz foi e é redenção e reconciliação para todos aqueles que se aproximam da mensagem do evangelho.
O SACRIFÍCIO DE JESUS
Jesus ofereceu a si mesmo como sacrifício, sendo Ele o verdadeiro e eficaz sacrifício que aplacou a justa ira de Deus contra o pecado que reina nas ações da humanidade (Hb 7.27; 9.23,28). Logo, Jesus foi o sacrifício completo, que não necessitou e nem necessita que outro sacrifício seja realizado, pois por meio desta obra o pecado pode ser coberto (na Antiga Aliança o sangue do cordeiro era posto sobre o propiciatório da Arca, feito que significava o cobrir do pecado), porém, o sacrifício de Jesus de fato perdoa o pecador, lançando ao esquecimento toda ação pecaminosa por parte dos indivíduos, isto ocorre quando há o verdadeiro arrependimento (Is 43.25).
A cruz não era para Jesus, então o Messias é o substituto, por ser o substituto percebe-se que a morte de Cristo na cruz é vicária, isto é, substitutiva.
Ela é vicária, isto é, substitutiva, no sentido de alguém que toma o lugar de outro, como bem afirma Isaías: “[...] mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.6 – conforme ainda 2 Co 5.21; 1 Pe 2.24; 3.18), portanto, Cristo morreu pelos nossos pecados; Ele, porém, era sem pecado (POMMERENING, 2017, p. 55).
O termo grego ἱλαστήριον permite compreender que a morte vicária de Jesus foi um sacrifício expiatório, ou seja, uma propiciação pelos pecados da humanidade, tornando assim possível a aproximação dos que creem na pessoa de Deus.
A NOSSA RECONCILIAÇÃO COM DEUS PAI
O termo presente para definir reconciliação no NT grego é καταλλαγή que resumidamente significa troca ou mudança, isto é, com base na mensagem do Novo Testamento percebe-se que corresponde com a troca de inimizade para amizade. De fato a reconciliação é possível por meio do favor divino.
Para Pommerening:
A reconciliação é uma obra da graça de Deus somente possível como consequência da obra de Cristo. Ela é necessária porque nosso relacionamento com Deus estava rompido, pois o homem pecador não pode ter comunhão com o Deus santo (Is 6.5) – (20017, p. 56).
É necessário entender que o pecado torna-se a causa da inimizade entre Deus e a humanidade, para mudar tal situação necessário era que uma oferta de perdão fosse entregue a Deus. Daí o Senhor Jesus se entrega como oferta, objetivando em seu sacrifício a reconciliação da humanidade para com Deus.
A REDENÇÃO ETERNA
A palavra grega Tetelestai tem como significado está consumado, em outras palavras está pago. Jesus no calvário exclamou: está consumado. Logo, percebe-se que Jesus disse que estava paga a dívida que limitava os que creem a se aproximarem de Deus.
Portanto, a redenção por parte divina se concretizou, cabe agora ao ser humano aproximar-se de Deus, pois a redenção altera o estágio de escravidão do pecado para que o indivíduo viva uma vida liberta de toda obra do pecado, sendo que a redenção é plena, isto é, a redenção é abrangente, os benefícios da redenção abrange a eternidade.
Referência:

POMMERENING, Claiton Ivan. A obra da Salvação, Jesus Cristo é o caminho a verdade e a vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

domingo, 22 de outubro de 2017

Petros de obstáculo para sustentáculo

Petros de obstáculo para sustentáculo
Texto: E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas (João 21:15-17)
O nome Pedro do grego tem como significado um pedaço de rocha, uma pedra; e como características pessoais o apóstolo possuía um temperamento ardente, impulsivo e inconstante (ROBINSON, p. 728). Porém, não se pode esquecer que Pedro tornou um dos personagens bíblicos de grande destaque no propagar a mensagem de salvação que é possível na pessoa do Senhor Jesus Cristo.
Logo, o presente estudo tem como objetivo compreender as atitudes do apóstolo Pedro que o identifica como uma pedra de tropeço ou de obstáculo e também como uma pedra de sustentáculo, isto é, não como a Pedra da esquina, que é o Senhor Jesus.
Pedro como obstáculo
Não se pode dizer que o apóstolo foi um obstáculo, porém as atitudes demonstravam que ele era inflamado pelo impulso, fato que ocorria constantemente. Há três atitudes do apóstolo que o apresenta como obstáculo: apressado ao falar, atitude em negar a Jesus e a mentira a respeito de conhecer ou não a Jesus.
1.1 – Apressado em falar. Após realizar uma confissão declarativa concernente à pessoa de Jesus, o apóstolo Pedro recebeu do Mestre a seguinte repreensão: para trás de mim, Satanás, que serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens (Mt 16.23), isto por ter dito as Mestre as seguintes palavras: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso (Mt 16.22).
Conclui-se que Pedro era apressado em falar, quem fala mais do escuta pode torna-se um obstáculo para futuros triunfos, daí a importância do conselho de Tiago: sabeis isto, meus amados; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (Tg 1.19).
1.2 – Negação por meio da mentira. Ao negar a Jesus o apóstolo Pedro o fez por meio da mentira, respondendo aos criados que não conhecia a Jesus o galileu, fato que se repetiu por três vezes, para cumprir a palavra de Jesus, e imediatamente o galo cantou (Mt 26. 69-75).
Pedro como sustentáculo
Após o encontro com o Messias, fato posterior à ressurreição de Cristo, permite descrever as seguintes atitudes de Pedro: reconheceu a necessidade de se arrepender e reconheceu o amor reconciliador de Jesus.
1.1 – O arrependimento de Pedro. Por três vezes o apóstolo foi interrogado se amava a Jesus, e por três vezes Pedro respondeu que o amava. O termo arrependimento vem da palavra grega, μετανοια e significa mudança de opinião ou mudança de propósito. Na prática corresponde com tristeza segundo Deus que se notifica com o voltar-se para o Senhor.
1.2 – O reconhecimento do amor divino. “O motivo pelo qual muitos crentes não conseguem amar é porque nunca entenderam, por mínimo que seja, a grandeza desse amor, ou ainda, por que nunca o experimentaram em suas emoções, as quais não puderam ser tocadas por esse amor”(POMMERENING, p. 48). O apóstolo pela terceira vez conseguiu responder a Jesus que o amava conforme a pergunta feita por Jesus, fato que se repete na vida de muitos crentes que não conseguem responderem a Cristo conforme são perguntados.
Jesus perguntou a Pedro: amas-me (ágape) mais do que estes? Simão assim respondeu: sim, Senhor; tu sabes que te amo (filo).
Pela segunda vez Jesus perguntou a Pedro: amas-me (ágape) mais do que estes? E pela segunda vez Simão assim respondeu: sim, Senhor; tu sabes que te amo (filo).
Já na terceira vez houve modificação no que corresponde a pergunta feita pelo Senhor Jesus: amas-me (filo) mais do que estes? Simão assim respondeu: sim, Senhor; tu sabes que te amo (filo).
O que se aprende é que Deus em Seu amou proporcionou a salvação, em que o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14). Pedro, homem limitado; Jesus, o dono da vida, sendo Ele próprio o amor encarnado que proporcionou arrependimento e consolo ao apóstolo.
Pedro é visto em dois momentos de sua vida. O antes do encontro pós-ressurreição do Senhor Jesus e o depois deste magnífico encontro com o Messias. Assim também se percebe com todos os cristãos, instantes de ações impulsivas e inconstantes em que as atitudes são deliberadas da carne e não do bom senso cristão. O apóstolo tornou-se um grande servo de Cristo e escreveu duas cartas que até hoje é símbolo da verdade e do consolo proveniente do Senhor Jesus.
Referência:
POMMERENING, Claiton Ivan. A obra da Salvação, Jesus Cristo é o caminho a verdade e a vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
ROBINSON. Edward. Léxico Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

500 anos da Reforma Protestante, Lutero se levantou e eu?

500 anos da Reforma Protestante, Lutero se levantou e eu?
No dia 31 de outubro de 2017 comemorará 500 anos em que Martinho Lutero definitivamente demonstrou repúdio à venda de indulgência, ação realizada pela igreja que tinha como justificativa o perdão dos pecados. Atitude em que menosprezava a obra vicária de Jesus na cruz, assim como também outorgava à igreja poder que apenas pertence ao Senhor Jesus, salvar os perdidos e libertar os cativos.
O presente estudo tem como objetivo compreender biblicamente e sociologicamente a importância da reforma para cada cristão em particular. De certa forma analisar o decorrer histórico das igrejas da Ásia, assim como averiguar os pilares da Reforma, e compreender o chamado privativo de Deus para com os teus.
Panorama das Igrejas da Ásia
Para muitos estudiosos as setes Igrejas da Ásia podem ser definidas historicamente em períodos diferentes. Éfeso corresponde com a Igreja apostólica (30 a 100 d.C), Esmirna com a Igreja perseguida (100 a 313 d.C), Pérgamo com a Igreja mundana, estatal (313 a 590 d.C), Tiatira com a Igreja papal (590 a 1517 d.C), Sardes com a Igreja da Reforma, morta (1517 a 1730 d.C), Filadélfia com a Igreja missionária (1730 até o arrebatamento), e Laodicéia com a Igreja morna (1730 até a segunda fase da Segunda Vinda de Jesus).
Portanto, não pode esquecer-se da interpretação literária concernente às setes Igrejas no que corresponde ao período em que João recebeu a revelação apocalíptica. De fato, não se pode esquecer também da aplicabilidade de cada Igreja no decorrer histórico do cristianismo. Isto é, no período hodierno há características de cada Igreja da Ásia presente no cristianismo.
Os pilares e os princípios da Reforma
A verdadeira religião estar baseada nas Escrituras Sagradas – Religião Bíblica, nada substitui a autoridade da Bíblia. No período a leitura bíblica era proibida pela igreja, porém Deus por meio dos reformadores outorgou ao povo o direito da leitura da Bíblia, sendo que os reformadores afirmavam categoricamente que a Bíblia continha as regras de fé e prática.
A religião deve ser racional e inteligente – Religião Racional. Logo, toda superstição era rejeitada, sendo que a Bíblia é fonte de entendimento e o conhecimento da verdade proporciona libertação.
A religião é pessoal, cada um pode se aproximar do Senhor – Religião Pessoal. Não há necessidade de intermediário para adorar ao Senhor, o Senhor Jesus eliminou a separação que existia entre o homem e Deus, pois o véu do templo se rasgou de alto a baixo, permitindo a aproximação do indivíduo para com o Salvador.
A religião não pode e nem dever ser formalista, mas deverá ser espiritual – Religião Espiritual.
A religião nacional corresponde à ênfase outorgada pela igreja aos elementos culturais – Religião Nacional. O valor outorgado a linguagem local para o culto em adoração a Deus.
É válido definir e compreender os cinco princípios que se notabilizaram com a reforma protestante: soli Deo Gloria (glória somente a Deus), sola fide (somente a fé), sola Gratia (somente a graça), sola Chistus (somente Cristo), e sola scriptura (somente as Escrituras).
Compreendendo o chamado
Aos escolhidos Deus outorgou missões nobres para serem executadas. Noé teve como missão executar a tarefa de construir uma arca e apregoar a mensagem de arrependimento (Gn 6. 13-22). Jonas teve como missão executar a tarefa de pregar a mensagem de arrependimento em Nínive (Jn 1.2). Moisés teve como missão guiar, proteger, amar, em suma, liderar um povo numeroso no deserto (Êx 3.8). Davi teve como missão firmar o reino israelita (1 Sm 16. 12,13). Elias teve como missão dentre tantas, ungir a Eliseu como sucessor (1 Re 19.16). Os doze discípulos tiveram como missão pregar o evangelho primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel, a curar os enfermos, a limpar os leprosos, a ressuscitar os mortos e a expulsar os demônios (Mt 10. 6-8).
Os benefícios por servir a Cristo são para a vida presente e para a vida futura nos céus de glória (Mt 19. 29).
Um dos propósitos do chamado é poder exercer uma missão nobre que glorifique ao Senhor Jesus. E dentre outras pode citar que o chamado de Deus tem como propósitos:
O aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.12).
E a edificação do corpo de Cristo (Ef 4.12).

E por fim, os que são chamados Deus outorga poder espiritual. Este poder não é para que o cristão venha a ser superior aos outros e a se vangloriar, mas o poder é outorgado para que vidas venham a ser abençoadas e libertas em Cristo Jesus (Mc 16.16-18).

Subsídio da E.B.D: Salvação - o amor e a misericórdia de Deus

Salvação - o amor e a misericórdia de Deus
O objetivo geral da presente lição é mostrar que a salvação é resultado do amor misericordioso de Deus; e como objetivos específicos: apresentar o maravilhoso amor de Deus; explicar a misericórdia de Deus no plano da salvação; e, analisar o amor, a bondade e a compaixão na vida do salvo.
Deus por meio do amor e da misericórdia tem outorgado perdão, proporcionando aos que crerem a salvação. A presente lição tem como pontos centrais para contato: o amor de Deus; Deus é misericordioso; e, o amor, bondade e compaixão na vida dos salvos.
O maravilhoso amor de Deus
Primeiramente é necessário saber que Deus é amor. Logo, percebe-se que Deus ama aqueles que o reconhece, assim também como ama aqueles que o rejeita. A história de Oséias relata o amor do marido à esposa situação que corresponde diretamente com a demonstração de amor de Deus para com Israel. Amor incondicional. O único que ama de maneira incondicional é Deus, explicação categoricamente definida na Sua pessoa e no Seu nome, pois Deus é amor “Ele nunca deixará de ser quem Ele é. Eis aí algo, que parece que Deus não pode fazer: Ele não pode escolher não amar, pois isso fere sua essência” (POMERENING, 2017, p. 42,43).
Pomerening diferencia a manifestação do amor de Deus da manifestação do amor dos homens, da seguinte maneira:
O amor de Deus manifesta-se terno e compassivo, muito acima do amor humano, que é apenas responsivo (2017, p. 43).
O amor demonstrado pelo ser humano é responsivo por indicar a condicionalidade.  Porém, o amor de Deus tem como objetivo a salvação dos pecadores mediante a propagação do Evangelho do Senhor Jesus, por isso, o amor de Deus é terno e compassivo.
O evangelista João escreve o versículo chave da Bíblia que relata a respeito do amor de Deus (Jo 3.16), texto que mostra o amor divino sendo terno e compassivo. Talvez não exista outro versículo na Bíblia que tenha sido tão completamente explicado como este; quiçá não exista outro versículo que possa ser tão pouco esclarecido. A maioria dos jovens pregadores faz sermões tendo por base esse versículo; mas os pregadores de mais idade aprendem que o seu sentido deve ser sentido e refletido, e não falado (ELLICOTT, apud CHAMPLIN, 2002, p. 311).
Champlin assim acrescenta a respeito do amor de Deus:
Deus, sendo um ser inteligente, tem consciência da existência deste mundo e ama a todos os homens que nele habitam. De alguma maneira, posto que indefinida, exceto conforme entendemos as pessoas, Deus possui qualidades emocionais. O seu amor é a mais alta forma de amor, a mais pura, ao ponto de ser chamado de amor, conforme lemos no trecho de I João 4:8. Esse princípio de amor, que faz com que Deus tenha o destino perfeito do homem, a sua felicidade e a sua utilidade perfeita e cumprimento da existência, sempre perante os seus olhos, e que é a força central motivadora de todas as suas ações para com os homens, também é compartilhado pelo homem, para ser exercido em direção aos seus semelhantes (2002, p. 311).
Deus é misericordioso
A palavra misericórdia do grego eleos permite compreender a compaixão de Deus para com aqueles que sofrem por necessidades específicas, que se encontram em estado de angústia e endividados sem soluções favoráveis de suas dívidas (POMERENING, 2017, p. 45). Percebe-se que a misericórdia de Deus corresponde com o favor imerecido para com os homens, pois estes seriam condenados, mas no prover do amor divino encarnado na misericórdia permite que estes sejam justificados e santificados em Cristo.
A misericórdia divina é demonstrada na ação de Deus em justificar os ninivitas e não em os condenar como queria o profeta Jonas (Jn 4.2).
Jonas tinha que entender que: quanto à pessoa de DEUS, Ele é um Pai bondoso, misericordioso, paciente e grande em benignidade. Ele tanto castiga como manifesta o seu grande amor, quando há verdadeiro arrependimento.
(...)
A lição que Deus ensina para Jonas por meio desse ato é que se ele não fosse nada para a sua existência, e declarava uma raiva por causa da sua perda, justificando assim a sua ira, como é que Deus não poderia manifestar compaixão para com o povo da cidade de Nínive?
Deus tem paciência com os pecadores, é isso que aprendemos nesse acontecimento envolvendo Jonas (GOMES, 2016, p.73).
Amor, bondade e compaixão na vida do salvo
Há três dimensões para compreender a ação do amor.
Dimensão vertical, amor a Deus. O amor a Deus por parte do homem deve ser exclusivo (Mt 6.24), alicerçado na gratidão (Lc 7.42), obediente (Jo 14.15) e comunicativo (BARCLAY, 2010, p. 74).
Dimensão horizontal, amor ao próximo. O amor ao próximo é definitivamente fruto do Espírito.
Dimensão interior, amor a si mesmo. O indivíduo só poderá amar a Deus se amar a si mesmo. Da mesma forma o indivíduo só amará o próximo se a amar a si mesmo.
Porém, o amor é o antídoto contra o pecado, pois quem ama não peca contra Deus e nem peca em denegrir a imagem de Deus, isto é, o seu próximo. O amor conduz os cristãos à obediência, pois quem ama a Deus obedece a Palavra de Deus. Sempre lembrando que Deus é amor.
Referência:
BARCLAY, W. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2010.
CHAMPLIN. R.N. O Novo Testamento, interpretado versículo por versículo. Volume 2. São Paulo: Hagnos, 2002.

GOMES, Osiel. As obras da carne e o fruto do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.